Borboletas no aquário
I
Mantinha borboletas
No aquário.
Sentado à mesa
Com as mãos no rosto
Espalmadas
Tecia um fio de tempo
(Só seu)
A observar, através da transparência
das cortinas,
um balé de cores que reverberavam,
reverberavam...
II
Mantinha borboletas
No aquário
O silêncio a balbuciar
Regozijos de naufrágios...
Mas, quando as mãos violáceas
Não pressentiram mais as cores
E a visão turva admitiu
Guelras na fala
Ao fio partido
Gritou
Ah, gritou!
Suspensos ao eco
Todos os mares não desbravados!
III
Uma chuva fina e persistente
Lambia os alicerces do passado
Quando fez o que, há tempos, cogitava:
- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo
- Guardou os álbuns de todas as renúncias
Na gaveta do armário
- Fez par com a vida, num beijo inusitado
- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.
Poema do livro "Borboletas no aquário", também presente na Antologia do FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí - PR
I
Mantinha borboletas
No aquário.
Sentado à mesa
Com as mãos no rosto
Espalmadas
Tecia um fio de tempo
(Só seu)
A observar, através da transparência
das cortinas,
um balé de cores que reverberavam,
reverberavam...
II
Mantinha borboletas
No aquário
O silêncio a balbuciar
Regozijos de naufrágios...
Mas, quando as mãos violáceas
Não pressentiram mais as cores
E a visão turva admitiu
Guelras na fala
Ao fio partido
Gritou
Ah, gritou!
Suspensos ao eco
Todos os mares não desbravados!
III
Uma chuva fina e persistente
Lambia os alicerces do passado
Quando fez o que, há tempos, cogitava:
- Mirou o ponto luminoso no teto de tudo
- Guardou os álbuns de todas as renúncias
Na gaveta do armário
- Fez par com a vida, num beijo inusitado
- E, finalmente, convicto, quebrou o aquário.
Poema do livro "Borboletas no aquário", também presente na Antologia do FEMUP - Festival de Música e Poesia de Paranavaí - PR
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