sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Momentos
 
      I
 
 
Já tive fogo nas mãos
 
e vaga-lumes na garganta
 
e canções iluminadas
 
vazavam do meu peito
 
em chamas.
 
Foi um tempo de descobertas
 
em que a alma míope
 
não distinguia acertos
 
e dúvidas
 
futuro e instante.
 
E as noites eram
 
visões de luas
 
e a vida
 
um sonho constante.
 
               
      II
 
 
O relógio arrebentou
 
as correntes
 
adormecidas sob a
 
paisagem
 
e foi um fremir de
 
folhas
 
(inundação de salivas ardentes)
 
na libertação das águas
 
represadas.
 
Do passado apenas
 
longínquos eflúvios
 
visita íntima
 
ao êxtase da alma
 
renovada.


Poema selecionado -  Antologia do III Prêmio Literário Canon de Poesia 2010.

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